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    28 september

    Marketing Pessoal

    Primeiras impressões são as que ficam?
     
    No universo odontológico, qual é o valor de se passar uma imagem confiante para o paciente? Devemos supostamente ser profissionais, impecavelmente limpos, senhores da verdade, responsáveis, simpáticos e finalmente bonitos. Nisso podemos enquadrar o fato de sermos obrigados a estar sempre de roupa branca, arrumados, perfumados, com um sorriso estampado no rosto, agindo da forma mais discreta possível e ao mesmo tendo que marcar presença, impondo nossa conduta ainda que a desejo do paciente, e nunca cometendo gafes. Ainda por cima devemos ter em mente que 99% de nossos clientes simplesmente nos odeiam, por motivos traumáticos ou simplesmente desconhecidos. Enfim, cansativo demais pra qualquer reles mortal. Mas não para nós, seres quase anormais: dentistas.
     
    A principio parece exagero pensar desta forma, mas trocando de posições por um minuto (ou seja, o binômio mercado-consumidor), como eu sendo um cidadão leigo, posso confiar em um dentista com apinhamento dentário? Ou em um nutricionista gordo? Em um político mentiroso? Pois então, (in)-felizmente também fazemos parte de um grupo de profissionais que temos que demonstrar ação, porém sem tempo hábil para darmos alguma explicação. Não nos dão a chance de provarmos a nossa competência antes de passar pelo crivo da nossa primeira aparência.
     
    O sujeito pode até ser um excelente ortodontista, mas se tiver com a unha mal cuidada, a barba mal feita ou até mesmo se não for simpático o suficiente, está fadado ao insucesso profissional. Não tem cabimento eu pagar 3 mil reais pra colocar um maldito aparelho fixo, se meu próprio dentista tem um incisivão torto, meio amarelado que ainda fica pulando por cima do dente ao lado, chamando toda minha atenção! Invento uma diarréia e saio correndo. 
     
    Existem duas classes de profissionais da saúde. Aqueles que são procurados em casos emergenciais – leia-se médicos, cirurgiões, enfermeiros – que no perrengue vai qualquer um que te atenda; e aqueles profissionais eletivos, em que se enquadra a maioria dos dentistas. No mercado atual, dor de dente está perdendo lugar em procura à consultórios dentais para insatisfações estéticas. Ou seja, somos procurados por aqueles capazes de reparar em uma manchinha levemente esbranquiçada que mede cerca de 1,0 mm² na ponta de um dente, ou ainda aqueles que se sentem terrivelmente incomodados por um leve diastema de 0,5 mm.
     
    A rigorosidade com a aparência e conduta dos profissionais vem desse princípio que vos falo: marketing pessoal. Temos que vender o nosso próprio peixe, todos os dias! E com tantos dentistas de fundo de quintal privado por aí, como diferenciar quem realmente sabe o que está fazendo ou não? Além de ter a capacidade material e intelectual de prover aos nossos pacientes todos os tratamentos possíveis, devemos ainda criar um vínculo de confiança com estes logo de cara. Não digo aquela confiança de amigo, de pai-filho, de marido-mulher, que só vem com o tempo e anos de convivência. Digo aquela confiança imparcial que é demonstrada e avaliada a partir do momento em que pomos nossos pés, dentro de um sapato terrivelmente branco dentro da clínica terrivelmente branca, vestidos com um jaleco terrivelmente branco e nos sentamos de cara a cara com o meliante.
     
    Não podemos nos dar o luxo de parecermos sujos, incompetentes nem ao menos desleixados, pois o apelo de nossa clientela é alto. Se bem que... Isso depende de cada um. Há aqueles profissionais que não ligam nada pra isso, muito menos seus clientes. A diferença está no quanto irá ser cobrado de cada um no final das contas. E claro, sua recompensa.

    (Ouvindo "Back to black " - Amy Winehouse)
     
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