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Jon

...like omni presence would demand omni absence...

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November 20

Poesia Morta

Dizia Maiakovski
Toda e qualquer poesia é a única forma de ver o mundo
Somos poetas enfim
Falidos, sem lápis, renome ou contrato
Mas a inspiração aparece sempre
Que um amigo consegue te ler
Sem que se pronuncie uma palavra sequer.
Entende a linguagem única do estranho dialeto
Que falam os nossos atos e emoções
July 18

Corta o cabelo e faz a barba!

Tarde de sol, mas faz frio no Fundão. Os óculos escuros são ineficazes em mascarar tanto o arrebol quanto o mar tormentoso que se abre em meus olhos. Fico parado contra o sol, pouco me preocupo em distinguir os sons que me se cercam, os rostos ao meu redor não mais importam, sinto o vento cortando meu rosto, a vida volta a fazer sentido, minha mente voa ao longe, finalmente livre! Férias! Tudo começa a dar certo de novo. Fim de mais um período. O último deles. O começo do fim. O fim do começo. Penso em fazer especialização em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (Buco, pros íntimos), mas isso é mais pra frente. Hoje não quero pensar em nada. Se bem que consegui me inscrever na eletiva que eu queria. Será que é trevas? Será que é boa? Chega. Não vou pensar em nada. Olho o sol, olho o céu, os urubus sobrevoando a ilha, a vista desolada da liberdade que não possuímos, da liberdade que não queremos. Afinal, ninguém merece viver de carne morta. Ou merece? Enfim, penso de novo no futuro que estou prestes a construir. Estomatologia? Implantodontia? Cirurgia? Do grego kheirourgia (kheír, mão + érgon, trabalho)... utilizar as mãos parar tratar de alguém. Parece interessante. Decido puxar assunto com alguém enquanto faço hora neste dia terrivelmente inspirado. E esse telefone que não toca?

JON - Ah! Consegui me inscrever pra disciplina eletiva que você cursou período passado! Como que funciona? O professor é bom? (Sabe quando essas conversas totalmente despretensiosas te tornam estático e te deixam sem palavras?).
EGO - Corta o cabelo e faz a barba, se não você ta f***ido. É só isso que tenho pra te dizer
JON - Errr...
EGO - ...
JON - ...
GRILOS - (cri cri... cri cri...)
JON - Valeu então. Foda-se

Qual a importância da aparência? Até que ponto, pode incomodar a aparência de um aluno a um professor? Se somos todos iguais, porque não falamos as mesmas línguas? Uma pessoa se torna mais competente no seu campo porque corta o cabelo e raspa a barba? Dispensa a análise de currículum então! Prova pra que também? Olhou pra você, e te achou feio, nasce de novo filho. Não adianta, você é burro, feio e incompetente, está fadado ao insucesso enquanto não gastar cinco merréis todo fim de semana no barbeiro - passar a se intoxicar com colônia barata.

Mas saindo um pouco desse âmbito tendencioso (até porque eu só estou vendo o meu lado da questão), fico imaginando. Qual a importância da aparência? (Parte II) O que é você notar que algo te agrada visualmente? O que é capaz de fazer duas pessoas terem empatia? É a forma de se vestir? De sentar? De falar? A combinação do timbre da voz com os trejeitos e expressões? A vibração inconsciente do som dos sapatos contra o piso? A capacidade ou incapacidade de se olhar nos olhos de quem se interage. Tudo é notado, apesar de inconscientemente, quando conhecemos alguém pela primeira vez. Analisando um pouco mais cientificamente (nada muito profundo, você que é meio lento também consegue acompanhar o raciocínio, calma!), basicamente sobrevivemos e interagimos com o mundo externo por sermos seres capazes de ver, de sentir, de tocar, de cheirar, de ouvir o que acontece ao nosso redor. Mas o estranho é pensar que nos só fazemos esse pouco. Como exemplo, há seres que são cegos, centenas de espécies inteiras de animais evoluídos até o ponto de nenhum deles se comunicar pela visão. Mas as cores ainda estão lá. O mundo está lá, porém informações visuais não são utilizadas para a interpretação do mundo ao redor. Aliás, somos bastante falhos em interpretar o mundo ao redor de nós. Qual cor que é o infra-vermelho? Que barulho teria uma música tocada em ondas de ultra-som? Continuo achando tudo isso meio viagem, sempre penso que não são todos os cinco sentidos, e sim apenas cinco sentidos, e que são regulados através de órgãos especializados, conectados através de uma complexa rede de receptores e mediadores químicos, captando ondas e impulsos nervosos, transformando-os em despolarização celular movida a Na+/K+ , conduzindo-os até a máquina central que é uma confusão de células nervosas histéricas dopadas e bêbadas. Somos pretensiosos o suficiente pra achar que o mundo é só isso que nosso corpo consegue captar, ignorando uma infinidade absurda de informação que nos falta recurso para assimilação. Ou faltam-nos os receptores para os outros sentidos, ou definitivamente não temos o programa instalado no HD.

Embora nossa idéia de tudo o que acontece em nossas vidas é só uma imagem gerada pelo seu cérebro e guardada num órgão que nos possibilita interagir com o meio externo, que por sua vez é uma leitura e reconstrução 3D de diferentes estímulos simultâneos, o que nos diferencia de outras espécies é que temos consciência de nossos atos. Bom, pelo menos alguns de nós.


Moby - Lift Me Up (Sesto Sento Remix)
May 27

Aniversáriow (Part II)!

Reza quem é de rezar
Brinca aquele que é de brincadeira
Quem é de paz pode se aproximar
Hoje é festa pr'uma noite inteira
 

Ói o mapa aí!
 
 
R. Geminiano Góis, Condominio Paraíso, RUA DO JAMELÃO 42
Siga o Ponto Azul!
 
 
May 25

Aniversáriow!!!

Aviso aos navegantes, ói o mapa aí embaixo
 
Siga o ponto azul! R. Geminiano Góis, condomínio Paraíso, RUA DO JAMELÃO 42! FREGUESIA JACAREPAGUA 16H! 30/05/2009
Estejam lá!... e se quiserem, leiam os posts abaixo.
Não aconselho muito, mas como tem maluco pra tudo... vai que cola.
September 28

Marketing Pessoal

Primeiras impressões são as que ficam?
 
No universo odontológico, qual é o valor de se passar uma imagem confiante para o paciente? Devemos supostamente ser profissionais, impecavelmente limpos, senhores da verdade, responsáveis, simpáticos e finalmente bonitos. Nisso podemos enquadrar o fato de sermos obrigados a estar sempre de roupa branca, arrumados, perfumados, com um sorriso estampado no rosto, agindo da forma mais discreta possível e ao mesmo tendo que marcar presença, impondo nossa conduta ainda que a desejo do paciente, e nunca cometendo gafes. Ainda por cima devemos ter em mente que 99% de nossos clientes simplesmente nos odeiam, por motivos traumáticos ou simplesmente desconhecidos. Enfim, cansativo demais pra qualquer reles mortal. Mas não para nós, seres quase anormais: dentistas.
 
A principio parece exagero pensar desta forma, mas trocando de posições por um minuto (ou seja, o binômio mercado-consumidor), como eu sendo um cidadão leigo, posso confiar em um dentista com apinhamento dentário? Ou em um nutricionista gordo? Em um político mentiroso? Pois então, (in)-felizmente também fazemos parte de um grupo de profissionais que temos que demonstrar ação, porém sem tempo hábil para darmos alguma explicação. Não nos dão a chance de provarmos a nossa competência antes de passar pelo crivo da nossa primeira aparência.
 
O sujeito pode até ser um excelente ortodontista, mas se tiver com a unha mal cuidada, a barba mal feita ou até mesmo se não for simpático o suficiente, está fadado ao insucesso profissional. Não tem cabimento eu pagar 3 mil reais pra colocar um maldito aparelho fixo, se meu próprio dentista tem um incisivão torto, meio amarelado que ainda fica pulando por cima do dente ao lado, chamando toda minha atenção! Invento uma diarréia e saio correndo. 
 
Existem duas classes de profissionais da saúde. Aqueles que são procurados em casos emergenciais – leia-se médicos, cirurgiões, enfermeiros – que no perrengue vai qualquer um que te atenda; e aqueles profissionais eletivos, em que se enquadra a maioria dos dentistas. No mercado atual, dor de dente está perdendo lugar em procura à consultórios dentais para insatisfações estéticas. Ou seja, somos procurados por aqueles capazes de reparar em uma manchinha levemente esbranquiçada que mede cerca de 1,0 mm² na ponta de um dente, ou ainda aqueles que se sentem terrivelmente incomodados por um leve diastema de 0,5 mm.
 
A rigorosidade com a aparência e conduta dos profissionais vem desse princípio que vos falo: marketing pessoal. Temos que vender o nosso próprio peixe, todos os dias! E com tantos dentistas de fundo de quintal privado por aí, como diferenciar quem realmente sabe o que está fazendo ou não? Além de ter a capacidade material e intelectual de prover aos nossos pacientes todos os tratamentos possíveis, devemos ainda criar um vínculo de confiança com estes logo de cara. Não digo aquela confiança de amigo, de pai-filho, de marido-mulher, que só vem com o tempo e anos de convivência. Digo aquela confiança imparcial que é demonstrada e avaliada a partir do momento em que pomos nossos pés, dentro de um sapato terrivelmente branco dentro da clínica terrivelmente branca, vestidos com um jaleco terrivelmente branco e nos sentamos de cara a cara com o meliante.
 
Não podemos nos dar o luxo de parecermos sujos, incompetentes nem ao menos desleixados, pois o apelo de nossa clientela é alto. Se bem que... Isso depende de cada um. Há aqueles profissionais que não ligam nada pra isso, muito menos seus clientes. A diferença está no quanto irá ser cobrado de cada um no final das contas. E claro, sua recompensa.

(Ouvindo "Back to black " - Amy Winehouse)